Hora Certa

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Um milagre chamado “Gabi”




Ela nasceu com 27 semanas, pesando menos de 500gramas. No dia 16 de agosto seus pais foram se despedir, mas tiveram uma surpresa

Antes mesmo de a porta ser aberta era possível saber quem estava chegando: o chorinho saudável anunciava a pequenina Gabrielle Fantin, de cinco meses, protegida nos braços de uma sorridente mãe e de um pai aliviado e orgulhoso.

Todas as atenções se voltaram para a linda princesinha vestida de rosa, que mais parecia uma bonequinha de porcelana. Mas, Gabi só liberou a mamãe Janice para a entrevista depois de mamar. “Ela é assim, tem personalidade forte”, disse o pai André não conseguindo conter a felicidade.
Essa é uma cena comum – o encanto dos pais com o primeiro filho – mas não para esse trio. E é Janice que começa a contar a longa trajetória de expectativa, felicidade, susto, desespero, dor, alívio e milagre.
Janice começou um tratamento para engravidar, foram dois longos anos de espera e tentativas frustadas até que finalmente veio a boa notícia – ela estava grávida. “Foi um momento mágico, uma alegria sem palavras”, lembra. A partir daí foram seis meses de sensações indescritíveis, até que uma visita ao médico mudou tudo. “Minha ginecologista disse que a gravidez não chegaria até o fim. Meu mundo desabou. Isso foi no dia 15 de julho, a bebê estava em sofrimento fetal”.
O tempo corria contra a vida da pequena Gabi, e com 27 semanas ela teve de vir ao mundo pesando apenas 565g (baixou para 470g logo depois). “Quando o pediatra a pegou no colo pedi que cuidasse dela, depois senti uma dor muito forte e dormi. Vi minha princesa só no dia seguinte, chorei muito, diante daquele ser tão pequeno e frágil”, narra.
Ali nasceu um amor capaz de milagres. Gabrielle era um bebê com prematuridade extrema, e para salvá-la, uma estrutura foi montada no hospital. Mas foi o sofrimento maior estava reservado para o dia 16 de agosto. “Ela teve problemas sérios no pulmão, naquela noite me disseram que tinha de me despedir de minha filha”, diz Janice emocionada. André lembra que a pequena foi batizada antes da partida. “Peguei na mão dela e implorando por sua vida, rezei muito. O dia passou, chegou a noite e ela estava lá, comigo, me olhando sempre”, desabafa a mãe sorrindo em meio ás lágrimas.
Essa é a história de Gabi, que depois desse dia voltou para casa. Hoje está com cinco meses, pesa 3200g, mas está cheia de saúde e muita disposição para viver. “Um milagre aconteceu em nossas vidas, ela é preciosa”, destaca André.
O jovem casal bento-gonçalvense: Janice, 24 anos e André, 30 foram do inferno ao paraíso num curto espaço de tempo. Agora tudo que querem é criar a filha Gabrielle e mostrar o que a energia de um amor verdadeiro pode fazer.




O diário de Janice
Durante os cinco meses que Gabi ficou no hospital, Janice escreveu um diário no orkut. “Era uma forma de conversar com as pessoas, um alívio para minha dor”, disse. A solidariedade de mais de 3 mil pessoas confortou a família que hoje só narra coisas boas. Acompanhe um trecho escrito no dia 25 de agosto.
“Até agora foram dois grandes milagres: a Gabi ter chegado até o útero (quando ainda era um embrião) e ela ter resistido as primeiras 24 horas de vida. Os dias passaram, ela foi ganhando peso e crescendo, embora preocupada eu estava muito feliz por que ela estava bem... mas, na semana passada ela teve um sangramento no pulmão e parada cardíaca... e dessa vez os médicos disseram que tudo dependia dela, havia sido feito tudo o que era possível para salvá-la. Vi minha filha praticamente morta, a cor dela era horrível, ela não se mexia. Eu não sentia meu corpo, meu coração bater, estava paralizada... só chorava... até que peguei na mão dela e pedi, implorando "filha, por favor, não me deixa... eu preciso de ti aqui comigo, não me deixa" e pedi a Deus que olhasse por nós e não deixasse a gente se separar... O dia passou, chegou a noite e ela estava lá, comigo, me olhando sempre... na segunda-feira ela tinha reagido e já estava esperneando e chorando como sempre”.

2 comentários:

Anônimo disse...

Olá... hj por acaso digitei o nome da Gabi no google e me deparei com essa linda narração sobre nossa vida e chorei muito!!! Nossa, que lindo!!! E é a minha vida, é surpreendente!!! Hj a Gabi está com 2 anos e 8 meses, é uma menina birrenta e determinada... "de personalidade forte", rsrs, fala (demais!) anda, enfim, faz tudo normalmente e... tem uma irmazinha chamada Mariana!!! Obrigada por escrever a nossa historia de maneira tão poética e verdadeira!!! Um Abraço!!!

Familia Fantin

Anônimo disse...

Olá... hj por acaso digitei o nome da Gabi no google e me deparei com essa linda narração sobre nossa vida e chorei muito!!! Nossa, que lindo!!! E é a minha vida, é surpreendente!!! Hj a Gabi está com 2 anos e 8 meses, é uma menina birrenta e determinada... "de personalidade forte", rsrs, fala (demais!) anda, enfim, faz tudo normalmente e... tem uma irmazinha chamada Mariana!!! Obrigada por escrever a nossa historia de maneira tão poética e verdadeira!!! Um Abraço!!!

Familia Fantin