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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Diversidade na Semana da Música de Bento Gonçalves


A Semana da Música de Bento Gonçalves, que iniciou na última quarta-feira, dia 30, é uma promoção da Fundação Casa das Artes, traz ao município uma grande atração para os bateristas. No dia 02 de outubro, às 19h acontece o C.Ibañez Day, da fabricante de baquetas C.Ibañez. Serão três workshops com os renomados bateristas Fábio Schneider, Luke Faro e Maurício Meinert. Também haverá o lançamento de baquetas personalizadas. As aulas acontecem nas dependências da fundação. As inscrições para o workshop têm o custo de R$ 40,00, com direito a participação em todas as atividades da Semana da Música. Informações 3454-5211.

Confira a programação da I Semana da Música de Bento Gonçalves:


Agenda de Oficinas, Cursos e Palestras:

01/10
Lucio Yanel: Violão, Técnica e Perspectiva de Atuação Profissional, das 19 às 21h
Luiz Eduardo Jungue (Zoca): Guitarra e Harmonia, das 19 às 21h
Lucio Yanel: Recital, às 21h

02/10
Sandra Rhodem: Educação Musical, das 9 às 12h e das 14 às 17h
Francis Padilha: Canto Lírico e Popular e Técnica Vocal, das 9 às 12h e das 14 às 17h
Luiz Eduardo Jungue (Zoca): Workshow de Guitarra e Harmonia, das 19 às 21h
Zé Montenegro, Fábio Schneider e Maurício Meinert: Bateria e Percussão C
Ibanez, das 19 às 21h
WorkShow C Ibanez, às 21h

03/10
Gisele Flach: Piano, das 9 às 12h
Caren Sabrina Lorenzi: Violino, das 9 às 12h
Monia Kothe: Violoncelo das 9 às 12h
Richard Armando de Oliveira: Metais (Sax (todos), Trompete, Trombone, Trompa, etc) e Madeiras (Clarinete, Flauta Transversa, Oboé, Fagote, etc), das 9h às 12h e das 13h30 às 16
Cursos de Orquestração, História da Música e Teoria Geral confirmados: horário a definir.

Talentos locais:

03/10
15h: Joel Rodrigues, Alemão Velliaria e Duo Viajando pelo Brasil.

04/10
15h: Shows com Vigilante Mexicano, Jack Brothers e Histeria.
Saiba mais
Para maiores informações, os meios de contato são pelos telefones 3454-5253 e 3454-5211 ou e-mail para fcasadasartes@terra.com.br ou fcacultural@terra.com.br.

Moda e sustentabilidade são tema de palestra no Iguatemi Caxias

Sustentabilidade está na moda. Moda sustentável também. Esse é o assunto que será abordado na palestra desta quinta-feira, 1º de outubro, no Café do Porto do Iguatemi Caxias do Sul, pela professora do Curso de Tecnologia em Design de Moda da UCS, Ana Mery Sehbe De Carli. A promoção fica por conta da Pole Modas, que reforça a campanha em prol do meio ambiente e aponta como a moda pode e deve atuar na questão da sustentabilidade.
Lançada no dia 1º de setembro, às 18h, a campanha da loja caxiense brinda os clientes com sacolas feitas com caixinhas de leite recicladas e embalagens para presente de materiais biodegradáveis. Além disso, tags que acompanham peças de roupa e embalagens, agora, vêm com frases de impacto e foram espalhados pela cidade outdoors defendendo a causa. Os participantes da palestra irão provar drinks de café orgânico durante o evento.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O cabelão da Tais Araújo dá trabalho?

Vai no PinKPurpurina e saiba tudo sobre as madeixas da Helena, de Viver a Vida

Lya Luft fala de epidemia moral

Lya Luft é uma das escritoras que mais admiro, seus artigos e livros são de uma sinceridade assustadora. Acompanhe abaixo, o texto em que ela fala de nossa passividade diante da corrupção.

A outra epidemia

Para mim, escrever é sempre questionar, não importa se estou escrevendo um romance, um poema, um artigo. Como ficcionista, meu espaço de trabalho é o drama humano: palco, cenário, bastidores e os mais variados personagens com os quais invento histórias de magia ou desespero. Como colunista, observo e comento a realidade. O quadro não anda muito animador, embora na crise mundial o Brasil pareça estar se saindo melhor que a maioria dos países. De tirar o chapéu, se isso se concretizar e perdurar. Do ponto de vista da moralidade, por outro lado, até em instituições públicas que julgávamos venerandas, a cada dia há um novo espanto. Não por obra de todos os que lá foram colocados (por nós), mas o que ficamos sabendo é difícil de acreditar. Teríamos de andar feito o velho filósofo grego Diógenes, que percorria as ruas em dia claro com uma lanterna na mão. Questionado, respondia procurar um homem honrado.
Vamos ter de sair aos bandos, aos magotes, catando essa figura, não uma, mas multidões delas, para consertar isso, que parece não ter arrumação? Se os homens nos quais confiamos, em seus cargos importantes, já não servem de modelo, devemos dizer aos nossos filhos e netos que não olhem para aquele lado nem os imitem? O Senado da República, só para citar um caso atual, teve sua maior importância em Roma, a antiga, e se originou nos milenares conselhos de anciãos, ou homens sábios e meritórios de tempos remotos. O Senado Romano também não era um congresso de santos: até Brutus ali tramava, ocultando nas vestes o punhal com que mataria Júlio Cesar, seu protetor. Afinal eram – e são – todos apenas humanos, e o problema sempre começa aí. A noção idealizada de um grupo de homens virtuosos liderando tornou-se mais realista, levando em conta as nossas mazelas. E daí? – dirão os mais céticos. Toda família tem seu esqueleto no armário, todo povo também: houve papas assassinos e mulherengos, reis dementes, rainhas devassas, e alguns normaizinhos, que só buscavam cumprir seus deveres e cuidar da sua gente sem prejudicar ninguém.
Eu queria preservar a imagem dos homens públicos como uma estirpe vagamente nobre, em cargos solenes, que lutariam pelo país ou por sua comunidade, por nós todos, buscando antes de tudo o bem dos que neles confiaram. Em caso de dúvida ou perplexidade, a gente olharia para eles e saberia como agir. Mas, como de um lado nos tornamos mais abertamente corruptos e de outro estamos mais condescendentes, instalou-se entre nós uma epidemia moral. Se fomos criados acreditando que o importante não é ter poder, mas ser uma pessoa honrada, estamos mal-arranjados. Pois, na vida pública, não malbaratar o dinheiro, não fazer jogos de poder ilícitos, não participar das tramas, ficar fora da dança dos rabos presos em que todos se protegem, virou quase uma excentricidade. Quem sabe o jeito é engolir sapos inaceitáveis: fim para o idealismo, treinem-se um olho clínico e cínico, enchendo bolsos e esvaziando pudores na permissividade geral que questiona o velho conceito de certo-errado. Talvez ele não passe de uma ilusão envelhecida, para sobreviver em vez de afundar. Não sei. A cada dia sei menos coisas. Antigas certezas se diluem: calejados pelas decepções, vacinados contra a indignação, não sabemos direito o que pensar. Então não pensamos.
A sorte é que apesar de tudo o país anda, a grande maioria de nós labuta na sua vidinha, trabalhando, pagando contas, construindo casas e ruas e pontes e amores e famílias legais. Lutando para ser pessoas decentes, as que carregam nas costas o mundo de verdade. É a nós – o povo, independentemente da cor, da chamada classe, da conta bancária ou do lugar onde mora – que os ocupantes de cargos públicos devem servir. Nós os elegemos e pagamos (coisa que nosso lado servil costuma esquecer), e não podemos ser contaminados por essa epidemia contra a qual não há vacina, mas para a qual é preciso urgentemente encontrar alguma cura. Enquanto ela não chega, mais uma vez eu digo: meus pêsames, senhores.

Millôr em exposição


No calendário de exposições de 2010, há pelo menos uma que ganha desde já o adjetivo de imperdível: Millôr Fernandes – O Que Vier Eu Traço, que se propõe a ser a maior mostra já dedicada ao genial desenhista, artista plástico, humorista, dramaturgo, escritor, tradutor (deve ter faltado alguma coisa…). Há 52 anos, não há uma exposição de Millôr na praça. A ideia de Leonel Kaz, curador da mostra, é realizar a retrospectiva no MAM/RJ e no MAM/SP.

Foto: Divulgação

Walker Evans, o fotógrafo que descobriu o sentimento na foto

A Veja nesta semana traz uma matéria sobre o fotógrafo Walker Evans, profissional que captava, através de suas lentes, o sentimento das pessoas. Num tempo em que a foto era quase um ato mecânico, Evans foi além e descobriu que era possível fazer com que a foto fosse mais um estrumento de comunicação.
Maravilhoso!



Fotografia
BELEZA AMERICANA
Walker Evans, o fotógrafo que retratou a devastação econômica e moral da Grande Depressão nos Estados Unidos, ganha uma retrospectiva em São Paulo
Marcelo Marthe

Em 1935, o fotógrafo Walker Evans (1903-1975) foi contratado pelo governo americano para documentar os resultados de um programa de redução da pobreza numa região rural arruinada pela Grande Depressão. Os burocratas que geriam as políticas do New Deal, plano do presidente Franklin Roosevelt que visava a tirar os Estados Unidos da ruína econômica, esperavam que Evans registrasse para a posteridade as obras oficiais. O que se fixou como síntese daquele momento histórico, contudo, foi um flagrante prosaico, sem nenhum tom triunfal: a imagem de um garotinho sentado numa cadeira no interior de uma residência humilde - e cujo olhar triste contrastava com as figuras alegres dos cartazes de publicidade ao fundo (como um sorridente Papai Noel). Essa imagem tão pungente quanto arrebatadora é a primeira de uma série que consagraria Evans como o grande cronista em foto da vida americana no século XX. A partir desta quinta-feira, o Museu de Arte de São Paulo (Masp) apresenta a mais ampla retrospectiva de sua obra já exibida no Brasil - que inclui, além dessa cena, 120 fotografias pertencentes a uma instituição espanhola, a Fundação Mapfre, de Madri.

Assim como outro nome crucial da fotografia, o francês Henri Cartier-Bresson (1908-2004), cujas fotos também estão sendo expostas em São Paulo, no Sesc Pinheiros, Evans foi pioneiro em dar certa dimensão artística a essa forma de expressão. Quando esse filho de um publicitário bem-sucedido abandonou o sonho de ser escritor e abraçou a fotografia, no fim dos anos 20, a temática dos profissionais do ramo não ia além dos retratos formais, cenas edificantes e paisagens. "Evans colocou a realidade em foco. E essa era uma ousadia e tanto", diz o curador Teixeira Coelho. No começo da carreira, ele fez fotos dos arranha-céus de Nova York que ressaltam o arrojo de suas linhas arquitetônicas - e remetem à arte construtivista de vanguardistas russos como Rodchenko. Em seguida, passou a investir na chamada "poesia do cotidiano": os registros dos cidadãos anônimos e seus costumes. Fotografou interiores de residências, fachadas do comércio e cenas urbanas. Munido de uma câmera oculta, por exemplo, flagrou os passageiros do metrô nova-iorquino absortos em suas preocupações.

O fundamental de sua obra, no entanto, foi produzido na esteira da Grande Depressão. Nos anos 30, como fotógrafo a serviço de uma agência governamental que dava apoio a agricultores, Evans registrou a miséria em estados do sul, como Mississippi e Louisiana. É dessa fase uma das imagens mais eloquentes da segregação racial americana: aquela que mostra o interior vazio e decrépito de uma barbearia para negros. Depois de deixar essa função, Evans foi destacado pela Fortune para produzir uma reportagem no Alabama. O trabalho nunca saiu na revista - mas, ao ser reunido em livro, trouxe à luz duas das fotografias mais célebres de Evans: os retratos de um granjeiro falido e sua mulher. Ao fazê-los posar em close diante de uma parede com ripas, Evans conferiu às imagens ares de pranchas de catalogação científica. Ao mesmo tempo em que são límpidas e belas, as fotos expõem cada sulco nos semblantes sofridos. São retratos crus da pobreza - mas seria um erro enxergar qualquer traço de panfletarismo em Evans. À maneira dos grandes pintores, o que lhe interessava era captar o drama humano.

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